Covid 19: pesquisa aponta avanços para testes imunológicos

 21 de maio de 2020 - 15h39

O Laboratório de Microbiologia Molecular da UFPR Litoral deu um passo importante  para desenvolvimento de testes imunológicos e vacinas nacionais para COVID-19.  O professor Luciano F. Huergo analisou dados da literatura e de sequencias de proteínas do novo coronavírus (SARS-Cov-2) depositadas em bancos de dados públicos. “Os dados indicam que as proteínas nucleocapsídio (Proteína N) e Spike (Proteína S) são altamente imunogênicas, ou seja, o corpo humano produz grandes quantidades de anticorpos contra essas proteínas durante a infecção”, explica o professor. Assim, segundo ele, seria possível utilizar estas proteínas como base para o desenvolvimento de testes imunológicos para COVID-19, como os testes rápidos.

A maior dificuldade é a obtenção destas proteínas puras e em grande quantidade.  Atualmente essas proteínas são vendidas por empresas de biotecnologia estrangeiras e chegam a custar dois mil dólares por mg. “Se consideramos as custas de transporte e importação, o preço pode chegar a 20 mil reais por mg de proteína no Brasil. Além do alto custo, estes insumos estão em falta devido à grande demanda mundial”, continua Luciano.

A partir da aplicação de técnicas de engenharia genética, as sequencias que codificam as proteínas virais foram modificadas e inseridas em um fragmento de DNA, que pode ser introduzido em uma bactéria de fácil cultivo e manipulação em laboratório, e que não apresenta qualquer risco à saúde. “Desta forma, conseguimos cultivar e produzir as proteínas virais N e S em larga escala e sem o risco de trabalhar com o vírus altamente patogênico e contagioso. Os ensaios são muito promissores, conseguimos produzir uma quantidade significativa das proteínas N e S (Figura)”, comemora o pesquisador.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As proteínas serão utilizadas para a próxima fase do projeto que visa o desenvolvimento do método de diagnóstico imunológico. O desenvolvimento de testes nacionais para COVID-19 pode reduzir o custo por teste em pelo menos cinco vezes. O que representa uma economia de cerca de 80 milhões de reais para cada milhão de pessoas testadas.

As proteínas purificadas também podem ser utilizadas para o desenvolvimento de vacinas contra o novo coronavírus. A equipe está em busca de parceiros interessados em utilizar essas proteínas, visando à imunização.

O grupo conta com a colaboração do professor Karl Forchhammer, da Universidade de Tubingen da Alemanha, que, em conjunto com a Fundação Alexander von Humboldt, financiou a aquisição dos genes sintéticos para produção das proteínas virais.

A pesquisa é executada pelo professor Luciano Huerga e pelo estudante de Gestão Ambiental e bolsista PIBIT, Marcelo Conzentino. Também participam da ação os técnicos Felipe Foroni Souza (Setor Litoral), Mariana Nazário (Setor Litoral) e Valter Baura (Dept Bioquímica) e os docentes Emanuel Maltempi de Souza (Dept. Bioquímica), Fábio Oliveira Pedrosa (Dept. Bioquímica), Rodrigo Reis (Dept. Biologia Celular), Sônia Raboni (Hospital de Clínicas) e Renato Bochicchio (Setor Litoral). O projeto conta com apoio da direção do Setor Litoral e do grupo de fixação biológica de Nitrogênio, do Departamento de Bioquímica.

“O grupo agradece a Comissão interna de Biossegurança da UFPR, em especial as Prof. Maria Berenice Steffens e Adriana F. Mercadante, pela rápida análise do projeto. Também ao técnico André Barbosa pelo auxílio excepcional na manutenção de equipamentos”, finaliza Luciano.

 

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